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  • Foto do escritorNatasha Tortelli

RESENHA CRUELLA

O filme passa em Londres dos anos 70, e retrata a história de uma jovem chamada Estella (Emma Stone), inteligente, criativa e que gostaria de ser reconhecida pelos seus designs de roupas. Com isso ela acaba chamando a atenção da Baronesa Von Hellman (Emma Thompson) um ícone da moda que é extremante egocêntrica.


Estella tem Piebaldismo, uma condição genética, hereditária, que afeta a produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele e ao cabelo dela, sua marca registrada. Crianças com esse tipo de condição, gerramente, sofre bullying durante a infância e adolescência e passam por rejeição.


Estella perde a mãe muito cedo, atacada pelos Dálmatas da Baronesa, mas ela descobre isso somente mais tarde. Nota-se um Transtorno de Estresse Pós-traumático na protagonista, depois de ter perdido sua mãe de forma trágica, ela se sente muito culpada, é insegura e demonstra sentimentos depressivos. Sem mãe, perdida, encontra dois meninos e passa a roubar com eles para sobreviverem, sempre mostrando seu carinho e amor pelos cachorros. Ela, os meninos e os cachorros dividiam a vida como uma família.


Estella descobre que é filha biológica da Baronesa. Entende que a mãe biológica mandou matar ela quando nasceu, mas seu assessor, sem coragem de matar, a entrega para uma moça doce e bondosa que trabalhava na limpeza da mansão criar. Descobrir sobre sua mãe biológica e sobre quem de fato matou sua mãe adotiva é um gatilho traumático para Estella deixar seu alter ego Cruella assumir o controle. Alter ego é a personificação de outra identidade fictícia e distinta da personalidade padrão, ou seja, seria como se um “outro eu” que estava no inconsciente surgisse do resultado das vontades, desejos e idealizações reprimidas. Cruella tem uma elevada autoestima, narcisista, agressiva, egocêntrica, impulsividade, com um desejo de vingança.

Cruella representa um mundo injusto, desigual, vivido por muitas crianças, na vida real, o que acaba, por algumas vezes, desenvolvendo alguns problemas psíquicos, como a busca por reconhecimento e atenção da sociedade.


Neste filme Cruella deixa de ser uma vilã e se torna uma anti-heroína. Ela não deixa de ser estúpida, mas não tem mais aquela obsessão por matar cãezinhos. O roteiro decide não focar tanto na origem da obsessão de Cruella com casacos de pele, e sim, fazer uma construção de personagem, mostrando isso de forma gradual, ao mostrar que a maldade de Estella, sempre esteve ali presente dentro dela, até finalmente ter um propósito de libertar esse seu lado cruel a ponto de se transformar na Cruella de Vil.


Como fã da Disney, para mim não foi surpreendente ver uma narrativa comovente, cheia de perceptivas conduzidas de forma natural, deixa para quem está assistindo uma certa leveza. É um filme definitivamente recomendado. Eu não gosto de quem faz maldade com animais, e odiei Cruella por muito tempo, esse filme me fez repensar.


O que acontece quando vemos Cruella?


Acabamos sentindo pena da Vilã e isso acontece porque passamos a conhecer a história da personagem. No final do filme entendemos que ao invés de um mostro ela é uma estilista, uma artista, que possui alguns comportamentos inadequados social e moralmente. Mas isso demonstra traços impulsivos da sua personalidade, misturados a uma grande criatividade.

Cruella não deixa de ser vulnerável, porém de uma forma intrigante. Com traços exagerados de uma personalidade grotesca, ela acaba se tornando uma personagem mais interessante que os próprios mocinhos.


Passamos a entender que o homem é bom e a sociedade acaba o corrompendo. É claro sem descartar traços da sua personalidade herdados geneticamente. Acabamos nos comovendo em entender o que causou a dor a ela, e acabamos pensando “ela não está tão errada assim, porque o mundo faz isso com a gente mesmo”, além de entendermos o gatilho da vilã, nos afeiçoamos a ela.


Nos conectamos a vilã porque já sentimos alguma vez vontade de fazer igual, de “tacar o foda-se”, mas não fizemos por causa dos valores que aprendemos ser certos estipulados pela sociedade. Esse sentimento é mais comum do que você imagina.


E por mais negativo que você possa ser, o ser humano acredita na mudança, gosta que expliquem a ele como tudo aconteceu, que existe outros lados da história.


Através do filme é ressignificada a história da Cruella, o que muitas vezes fazemos em terapia, buscamos entender o motivo para nossos comportamentos, ações, medos e sonhos. Entendemos o que antecipamos com um gatilho e porque isso causa sofrimento.



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